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Manejo de plantas daninhas na cultura do milho.

  • 03 de Aug

Uma das grandes barreiras para a produção mundial de milho ainda é a presença de plantas daninhas na cultura. As perdas na produção ocasionadas pela interferência de plantas daninhas na cultura do milho podem variar de 10% a 85%. As plantas daninhas podem também diminuir a qualidade do milho, tanto por dificultar o seu desenvolvimento e beneficiamento, quanto por alterar suas características, além de encarecerem as práticas agrícolas e servirem de hospedeiras para pragas e doenças.

O manejo de plantas daninhas na cultura do milho deve enfatizar a utilização das diferentes estratégias de controle, considerando a infra-estrutura e a mão-de-obra disponíveis para a obtenção de um bom resultado na produção. O manejo integrado de plantas daninhas deve ser utilizado com o objetivo de racionalização do uso dos herbicidas, do ambiente e dos custos de produção.

Assim como na cultura do feijoeiro que vimos anteriormente, os principais métodos de controle são: preventivo, cultural, mecânico e químico.

Controle preventivo

O controle preventivo de plantas daninhas na cultura do milho está associado à algumas práticas como utilizar sementes de boa qualidade, promover a limpeza rigorosa de todas as máquinas e de todos os implementos, antes de serem transportados para outras, controlar o desenvolvimento das invasoras, impedindo, ao máximo, a produção de sementes e/ou estruturas de reprodução nas margens de cercas, estradas, terraços, pátios, canais de irrigação e demais locais de infestação; e por fim, utilizar rotação de culturas e herbicidas.

Controle cultural

Esse método consiste na utilização das características da cultura e do meio ambiente para aumentar a capacidade competitiva das plantas de milho, favorecendo seu crescimento e desenvolvimento.

Uso de variedades adaptativas

Escolha cultivares que se desenvolvem mais rapidamente e cobrem o solo de maneira mais intensa, controlam melhor as plantas daninhas e sofrem menos com a interferência que elas provocam.

Escolha cultivares que mais se adaptam à região, capazes de apresentar resistência, ou tolerância às pragas e doenças da região.

Densidade de semeadura e espaçamento

O arranjo mais equidistante das plantas de milho com redução do espaçamento entre fileiras diminui o potencial de crescimento das plantas daninhas por aumentar a quantidade de luz interceptada pelo dossel da cultura.

A densidade de plantio (número de plantas por unidade de área) apresenta importante papel no rendimento de uma lavoura. Cada cultura apresenta uma densidade ótima (quando o rendimento é máximo), que é variável para cada situação e depende de três condições: cultivar, disponibilidade hídrica e disponibilidade de nutrientes.

Época de plantio

A época mais adequada para o plantio do milho é aquela em que o período de floração coincide com os dias mais longos do ano e a etapa de enchimento de grãos, com o período de temperaturas mais elevadas e alta disponibilidade de radiação solar, desde que sejam satisfeitas as necessidades de água pela planta.

Nas condições tropicais, devido à menor variação da temperatura e do comprimento do dia, a distribuição de chuvas é que geralmente determina a melhor época de semeadura.

Uso de cobertura morta

No sistema de plantio direto, antes da semeadura da cultura é necessária à realização da operação de manejo, com o objetivo de controlar plantas daninhas e formar a cobertura morta na qual a cultura será semeada.

O manejo mecânico pode ser realizado com roçadeiras, rolo facas ou mesmo grades niveladoras de disco destravadas. A eficiência desse método depende da época de sua realização, sendo esta normalmente mais eficiente quando realizada no estádio de florescimento pleno da cobertura vegetal.

Alelopatia

As plantas daninhas podem ter seu desenvolvimento suprimido ou estimulado por meio de plantas vivas ou de seus resíduos, os quais liberam substâncias químicas no ambiente.

A utilização da alelopatia para o manejo de plantas daninhas, é sugerida por Kohli et al. (1998), através de três propostas:

 

  • transferência de genes responsáveis pela síntese de aleloquímicos entre as culturas;
  • uso de rotação de culturas, combinando culturas companheiras capazes de reduzir a população de plantas daninhas por meio do seu potencial alelopático e;
  • uso de aleloquímicos obtidos das plantas como herbicidas, sendo um método seguro e efetivo, uma vez que são produtos naturais biodegradáveis e não persistem no solo como poluentes.

Rotação de culturas

A alternância temporal do cultivo de diferentes espécies vegetais numa determinada área, provoca a modificação da intensidade de competição e os efeitos alelopáticos a que são submetidas às plantas daninhas, além de poder se utilizar de uma rotação de herbicidas em uma mesma área de cultivo, dificultando a perpetuação de espécies e o aparecimento de plantas resistentes.

Controle mecânico

O controle físico é realizado através da ação de arrancar ou cortar as plantas daninhas. Este método pode ser realizado manualmente ou com o auxílio de máquinas.

Controle químico

O controle químico é atualmente o mais utilizado na cultura do milho no Brasil. O agricultor deve sempre utilizar herbicidas registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, bem como nas Secretarias Estaduais de Agricultura.

A seleção do produto deve ser baseada nas espécies de plantas presentes na área a ser tratada, bem como nas características físico-químicas dos produtos. Na aplicação, devem-se verificar as condições climáticas, bem como as condições do solo e das plantas.

Para a aplicação de herbicidas pré-emergentes, verificar as condições de umidade do solo para o manejo das plantas daninhas antes da sua emergência. As aplicações em pós-emergência são realizadas após a emergência das plantas daninhas e da cultura; devem ser observadas as condições em que se encontram as plantas daninhas, evitando aplicar os herbicidas em condições de estresse destas.

É importante verificar a persistência média no solo dos herbicidas utilizados nas culturas antecessoras, uma vez que eles podem tornar-se fitotóxicos para a cultura seguinte.

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Fonte: KARAN, Décio. CRUZ, Michelle Barbeiro da. RIZZARDI, Mauro Antônio. Manejo de plantas daninhas na cultura do milho. Embrapa.

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