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Manejo do ácaro-branco no algodoeiro

  • 24 de Apr

O ácaro-branco (Polyphagotarsonemus latus Banks), também conhecido como ácaro tropical ou ácaro da rasgadura, é considerada uma das pragas mais importantes que atacam o algodoeiro. Ele prefere ambientes úmidos e quentes e além do algodoeiro ele hospeda-se em inúmeras outras culturas como o feijão, batata, café, citros e etc.

A combinação de temperatura e umidade altas, juntamente com baixa luminosidade faz surgir populações elevadas dessa praga, mas no algodoeiro isso depende mais da idade da planta do que das condições de temperatura e umidade.

Os danos do ácaro-branco na produção de algodão pode chegar à um índice de 11,1% de redução no peso do algodão em caroço, além de depreciação qualitativa da fibra.

O ácaro-branco é quase invisível à olho nú. A fêmea tem coloração branca e amarelada, brilhante, medindo cerca de 0,2 mm de comprimento. O macho é ligeiramente menor, apresentando coloração branco-hialina, brilhante. Os ovos desse ácaro, muito característicos, são colocados isoladamente na face inferior das folhas novas; são achatados, com imensas saliências superficiais de cor branca. O ácaro-branco não tece teias.

O ataque

O ácaro branco faz com que as folhas do algodão fiquem bem verde-escuras com as bordas voltadas para baixo. As folhas tornam-se coriáceas, duras, e rasgam facilmente. Uma curiosidade é que quando o ataque é em folhas novas, como a da foto anterior, elas rasgam pelo fato de que as nervuras continuam crescendo e a folha não.

Inimigos naturais dos ácaros

Os ácaros têm inimigos naturais que são agentes importantes na redução dessa praga. Os mais importantes agentes de controle natural de ácaros são percevejos predadores, como Orius insidiosus, Geocoris sp., Tropiconabis sp. (Hemiptera: Nabidae) e Zellus sp. (Heteroptera: Reduviidae) e ácaros fitoseídeos (Acari: Phytoseidae), que também predam os ácaros fitófagos. O uso de inseticidas e fungicidas não seletivos pode comprometer atuação destes inimigos naturais.

Amostragem

Inspeções para detecção de ácaros brancos devem ser feitas nas folhas do ponteiro das plantas. A constatação de plantas com folhas com as bordas voltadas para cima ou com rasgadura estará denotando a presença do ácaro, sendo a comprovação feita com o auxílio de lupa de bolso. Deve-se avaliar o ácaro branco em uma folha apical já plenamente desenvolvida em 100 plantas em 10 hectares. Pessoal, se nas 100 plantas analisadas encontrarmos 40 que estiverem atacadas pelo ácaro branco, devemos fazer o controle.

Controle

O controle deve ser feito com inseticidas-acaricidas ou acaricidas específicos. Quando seus surtos são detectados no início da infestação, em reboleiras, o controle localizado é uma prática econômica. Caso a população se dissemine para o restante da área, a presença de ácaros em 30% das plantas vistoriadas determina o nível de controle. Muitas plantas daninhas e outras culturas são hospedeiras de ácaros. A eliminação destas plantas sempre que possível pode reduzir as infestações de ácaros na cultura algodoeira.

Poeira de estradas que margeiam a cultura pode contribuir para o aumento populacional de ácaros. O uso de caminhões-tanque com gotejadores e a redução do tráfego de veículos nestas vias pode reduzir as infestações em tais situações.

Adubações nitrogenadas tendem a incrementar o valor nutricional das folhas das plantas de algodão e favorecer o aumento da população de ácaros. Assim, embora o nitrogênio seja um importante nutriente para a cultura, seu uso em excesso deve ser evitado.

O controle químico com acaricidas deve ser, preferencialmente, localizado nas reboleiras que constituem as infestações iniciais, antecipando-se à distribuição da praga pelo restante da lavoura. Produtos acaricidas específicos e seletivos como abamectin devem ser preferidos para evitar a supressão de outras espécies benéficas.

É preciso cuidado na escolha de inseticidas para o controle de outras pragas pois o uso antecipado e continuado de piretróides favorece ocorrência de surtos populacionais de ácaros.

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