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Dicas para cuidado com a estrutura e composição do solo no cultivo da soja

  • 08 de Oct

Com a chegada da época da semeadura da soja, é muito importante deixar tudo separado: máquinas reguladas, insumos à disposição e muito cuidado com as doenças de solo.

 

 

E os cuidados para se evitar ou minimizar os efeitos das doenças incluem a conservação do solo e o processo de semeadura.

É fundamental que as implantações e o desenvolvimento inicial da lavoura ocorram de forma adequada, para que se possa obter produtividades elevadas.

Pois sabemos que os solos bem manejados são geralmente supressivos a doenças.

Já os solos mal conservados ou em condições inadequadas (compactados, mal drenados, com baixa atividade microbiana e pobres em nutrientes) aumentam consideravelmente as chances de ocorrências de doenças provocadas por microrganismos.

Listamos algumas dicas para se evitar doenças de solo, e estas dicas foram fornecidas pelos cientistas da Empresas Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Alexandre Dinnys Roese (analista em Fitopatologia) e Augusto César Pereira Goulart (pesquisador na mesma área).

Para facilitar a leitura deste artigo foi dividido em alguns tópicos!

  • Doenças muito comuns na soja e que são muito favorecidas pelo manejo inadequado do solo
  • Podridão da raiz e da haste da soja (podridão-radicular-de-fitóftora) causada por Phytophthora sojae
  • Tombamento de pré e pós emergência causado por Rhizoctonia solani
  • Podridão-das-raízes causada por Fusarium solani
  • Podridão cinza da haste e da raiz causado por Macrophomina phaseolina
  • A importância do cuidado com a estrutura e composição do solo

 

Doenças muito comuns na soja e que são muito favorecidas pelo manejo inadequado do solo

Podridão da raiz e da haste da soja (podridão-radicular-de-fitóftora) causada por Phytophthora sojae

 

O escurecimento ascendente é o seu principal sintoma, e acontece a partir da base da haste, e vai subindo homogeneamente na planta até chegar as ramificações da haste principal.

Neste caso, as plantas murcham, mas não perdem as folhas

E esse patógeno é favorecido pelos solos compactados e encharcados, permitindo que migre até as raízes das plantas. E os solos argilosos são mais vulneráveis à ocorrência da doença.

As semeaduras mais antecipadas podem expor as plantas a baixas temperaturas, em algumas regiões, aumentando as chances de ocorrência da doença.

Tombamento de pré e pós emergência causado por Rhizoctonia solani

O estrangulamento do colo, como lesões circulares, são os sintomas causados nas plântulas, que se tornam alongadas e deprimidas. As plântulas normalmente tombam em um período de até 15 dias após a emergência.

As baixas temperaturas favorecem a doença, e a planta adulta desenvolve apodrecimento seco das raízes, estrangulamento do colo e lesões deprimidas e escuras abaixo e ao nível do solo, murchando, tombando ou sobrevivendo temporariamente com emissão de raízes adventícias acima da região afetada.

Podridão-das-raízes causada por Fusarium solani

As plantas, neste caso, apresentam apodrecimento do tecido interno da raiz e desintegração dos feixes vasculares, com consequente amarelecimento geral, murchamento e morte das plantas.

O seu sintoma primário tem início na raiz principal que apresenta discreta coloração avermelhada, e aos poucos vai progredindo para coloração marrom.

O favorecimento da doença ocorre pelas altas umidades do solo, altas temperaturas e também a compactação.

Podridão cinza da haste e da raiz causado por Macrophomina phaseolina

Neste caso, os seus sintomas aparecem frequentemente no colo da planta, e depois vai atingindo posteriormente a raiz principal e as partes superiores da haste e ramos primários.

Plantas infectadas apresentam amarelecimento generalizado, murchamento e morte.

Podemos observar as lesões acinzentadas, difusas, e de aspecto úmido, que evoluem para intensa podridão dos tecidos, onde são observadas inúmeras pontuações negras (microescleródios) que são as estruturas de reprodução e sobrevivência do fungo.

Essa doença pode se manifestar em todos os estádios de desenvolvimento das plantas. E é favorecida por umidade do solo e temperaturas elevadas.

Os solos compactados também restringem o desenvolvimento das raízes e predispõem as plantas ao ataque do fungo.

A importância do cuidado com a estrutura e composição do solo

 

Já foi constatado que os solos mal conservados predispõem as plantas a diversas outras doenças além das comentadas acima.

As doenças de final de ciclo – DFCs – mancha parda e crestamento foliar- por exemplo, são mais comuns em solos com baixos teores de nutrientes.

E mesmo que no caso, o solo não seja pobre em nutrientes, a limitação no desenvolvimento radicular devido a problemas na estrutura do solo, poderá levar a deficiências nutricionais nas plantas.

E no caso de nematóides, os seus sintomas são reflexos (secundários) na parte aérea das plantas (folha carijó, subdesenvolvimento) que muitas vezes não são percebidos, quando o solo está bem manejado.

Isso mostram que o cuidado com a estrutura e composição do solo pode fazer com que muitas doenças não atinjam o limiar de dano, quando a doença ocorre, mas não provoca redução na produtividade.

Por isso, é muito importante e fundamental para a sustentabilidade e a lucratividade das lavouras, a manutenção de boas condições físicas, químicas e biológicas nos solos agrícolas, aliado à observância da melhor época de semeadura.

E além das condições químicas, que o produtor já está acostumado a conferir, temos outros cuidados para termos uma boa gestão do solo:

  • Por meio da redução da erosão e aumento de cobertura vegetal, podemos ter a conservação do solo;
  • Temos a conservação da matéria orgânica do solo, que inclui a redução do preparo do solo, a aplicação de adubos orgânicos de origem vegetal ou animal, o aumento da diversidade de espécies cultivadas e o aumento do aporte de carbono ao solo;
  • A atenuação de estresses provocados no solo, que requer otimizar o preparo, evitar operações agrícolas em solo com umidade inadequada, reduzir o trânsito de máquinas e favorecer a manutenção de resíduos vegetais na superfície do solo;
  • E a redução do uso de insumos tóxicos aos organismos do solo, o que inclui o manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas (proporcionando o emprego racional de pesticidas), o emprego de cultivares resistentes a pragas e doenças, a rotação de culturas e o uso de plantas de cobertura do solo.

Seguindo estes cuidados, alguns mais pontuais e outros que precisam ser trabalhados a longo prazo, poderemos obter todos os benefícios citados anteriormente como mais sustentabilidade e a lucratividade das lavouras.

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Dúvidas, críticas ou elogios deixem nos comentários. Desejamos uma boa safra a todos!

https://www.douradosagora.com.br/noticias/rural/pesquisadores-dao-dicas-para-evitar-doencas-de-solo-no-cultivo-de-soja

https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/37475447/artigo-como-evitar-as-doencas-de-solo

http://www.sna.agr.br/pesquisadores-dao-dicas-para-evitar-doencas-de-solo-no-cultivo-de-soja/

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